With every second of our kiss, it was becoming clear: I really like this guy! So, maybe that’s it: “What ultimately defines a relationship is another relationship!”
27.8.09
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02:13
Apeadeiros: 6to100tido, little things, me myself and i, sublinhados
8.3.09
Da importância das coisas...

E o principezinho cativou a raposa. Mas quando se aproximou a hora da despedida:
- Ai! - suspirou a raposa - Ai que vou pôr-me a chorar...
- A culpa é tua - disse o principezinho. Eu não te desejava mal nenhum, mas tu pediste para eu te cativar...
- Pois pedi - disse a raposa.
- Mas agora vais pôr-te a chorar! - disse o principezinho.
- Pois vou - disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
- Ai ganhei, sim, senhor! - disse a raposa. - Por causa da cor do trigo...
E acrescentou:
- Anda, vai ver as rosas outra vez. Vais entender que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.
O principezinho foi ver as rosas outra vez.
- Vocês não são nada parecidas com a minha rosa! Vocês ainda não são nada - disse-lhes ele. - Ninguém vos cativou e vocês não cativaram ninguém. Não são como a minha raposa era, uma raposa perfeitamente igual a outras cem mil raposas. Mas eu tornei-a minha amiga e ela passou a ser única no mundo.
E as rosas ficaram bastante arreliadas.
- Vocês são tão bonitas, mas vazias - insistiu o principezinho. - Não se pode morrer por vocês. Claro que, para um transeunte qualquer, a minha rosa é igual a vocês. Mas sozinha, é muito mais importante do que vocês todas juntas, porque foi ela que eu reguei. Porque foi ela que eu pus debaixo de uma redoma. Porque foi ela que eu abriguei com o biombo. Porque foi a ela que eu matei as lagartas (menos duas ou três, por causa das borboletas). Porque foi a ela que eu ouvi queixar-se, gabar-se e, até às vezes, calar-se. Porque ela é a minha rosa.
Depois voltou para o pé da raposa e despediu-se:
- Adeus...
- Adeus - despediu-se a raposa. - Agora vou contar-te o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com os olhos do coração. O essencial é invisível aos olhos...
- O essencial é invisível aos olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
- Os homens já não se lembram desta verdade - disse a raposa. - Mas tu não te deves esquecer dela. Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que cativaste. Tu és responsável pela tua rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer.
Antoine de Saint-Exupéry
O Principezinho
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21:25
1 no ponto infinito
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10.1.09
Loneliness

(foto de Luís Mileu em olhares)
Yes, life is a journey,
one there is much better travel with a companion by our side.
Of course that companion can be just about anyone:
a neighbour on the other side of the street,
or the man on the other side of the bed.
The companion can be a mother with good intentions,
or a child who’s up to no good.
Still, despite our best intentions,
some of us will lose our companions along the way.
And then the journey becomes unbearable.
You see, human beings are design for many things,
but loneliness isn’t one of them.
Desperate Housewives
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16:55
0
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28.6.08
sublinhados (x)
Comecei a desaparecer no dia em que os meus olhos se afundaram nos teus. Agora que os teus olhos se fecharam sei que não voltarás a devolver-me os meus.
Fazes-me falta
Inês Pedrosa
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18:19
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26.6.08
sublinhados (ix)
Muito lentamente, deitava o corpo em cima do corpo dela. Apoiava todo o meu peso nos joelhos, espetados na superfície do piano, e sentia nas minhas pernas o interior das pernas dela. Sabia encontrar os seus lábios e sabia beijá-los. As nossas cabeças fugiam uma da outra: procuravam-se. As nossas bocas rasgavam-se uma de encontro à outra. As minhas mãos fechavam-se com toda a força nas palmas das mãos dela. Os meus lábios deslizavam-lhe devagar pelo pescoço quando aquilo que me apetecia era afundar os dentes na sua pele. Talvez fosse nesse momento que as minhas mãos lhe desciam pelos ombros e, sobre o vestido, lhe sentiam outra vez, sempre outra vez, a forma dos seios. Sentia as suas mãos nas costas da minha camisa, a puxarem-me: a força dos seus dedos a espetarem-se: garras cravadas na terra. Levantava-lhe mais o vestido e as minhas mãos seguravam-lhe a cintura, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio, como se a sua pele fosse um incêndio. Ardia. Deixávamos de respirar ao mesmo tempo quando, num instante que talvez fosse eterno, que era eterno, entrava dentro dela. Então, o peso do meu corpo apertava-se de encontro ao seu corpo. Eu a segurá-la no interior dos meus braços, debaixo de mim, e eu dentro dela, e ela, por dentro, a ser um incêndio, a ser um incêndio, a ser um incêndio. Ardia.
José Luís Peixoto
Cemitério de Pianos
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15:21
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16.4.08
sublinhados (viii)
palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
"Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar. Amar é o terror de perder o outro, é o medo do silêncio e do quarto deserto, de tudo o que se pensa sem poder falar, do que se murmura a sós sem ter a quem dizer em voz alta. É preciso sentir esse terror para saber o que é amar. E, quando tudo enfim desaba, quando o outro partiu e deixou atrás de si o silêncio e o quarto deserto, por entre os escombros e a humilhação de uma felicidade desfeita, resta o orgulho de saber que se amou."
Rio das Flores
Miguel Sousa Tavares
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13:29
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Apeadeiros: 6to100tido, me myself and i, sublinhados
15.4.08
sublinhados (vii)
palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
"Sabia agora que nada tinha sido fútil, no longo caminho que o trouxera até ali. E, portanto, não havia mais lugar para dissimulações. Podia tudo perder ou tudo ganhar, podia até não saber se tudo queria perder ou ganhar. Mas chegava ao fim uma caminhada, a travessia de um oceano, longos dias e longas noites de saudades sepultadas na cumplicidade do travesseiro. Tudo isso chegara ao fim, agora: fosse qual fosse o desfecho, nada mais continuaria suspenso para sempre."
Rio das Flores
Miguel Sousa Tavares
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14:15
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9.4.08
sublinhados (vi)
palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
"Há decisões que se tomam e que se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do destino, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente. Às vezes, são até estes golpes do destino que se substituem à nossa vontade paralisada, forçando a ruptura que temíamos, quebrando a segurança morta em que habitávamos e abrindo as portas do desconhecido de que fugíamos."
Rio das Flores
Miguel Sousa Tavares
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08:42
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4.4.08
IKEA: enlouqueça você mesmo
Gosto deste gajo, pronto. Gosto de ironias e penso que com elas alcançamos metas que unicamente com conversas sérias se perderia logo toda a clientela. E às vezes é muito mais fácil aceitarmos certas verdades quando as ridicularizamos. E porque este gajo escreve bem (na minha opinião, fantasticamente bem), e porque eu não sei, gostava, mas não sei, escrever tão bem quanto ele, e porque eu gostava de guardar os seus escritos em algum lado onde os pudesse ir logo, logo, encontrar, e porque o blogue é meu e eu faço com ele o que eu quiser, e porque …, aqui vai mais uma pérola.
Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros
As dificuldades, porém, não são apenas semânticas mas também conceptuais. Toda a gente está convencida de que o IKEA vende móveis baratos, o que não
é exactamente verdadeiro. O IKEA vende pilhas de tábuas e molhos de parafusos que, se tudo correr bem e Deus ajudar, depois de algum esforço hão-de transformar-se em móveis baratos. É uma espécie de Lego para adultos. Não digo que os móveis do IKEA não sejam baratos. O que digo é que não são móveis. Na altura em que os compramos, são um puzzle. A questão, portanto, é saber se o IKEA vende móveis baratos ou puzzles caros. Há dias, comprei no IKEA um móvel chamado Besta. Achei que combinava bem com a minha personalidade. Todo o material de que eu precisava e que tinha de levar até à caixa de pagamento pesava seiscentos quilos. Percebi melhor o nome do móvel. É preciso vir ao IKEA com uma besta de carga para carregar a tralha toda até à registadora. Este é um dos meus conselhos aos clientes do IKEA: não vá para lá sem duas ou três mulas. Eu alombei com a meia tonelada. O que poupei nos móveis, gastei no ortopedista. Neste momento, tenho doze estantes e três hérnias.
É claro que há aspectos positivos: as tábuas já vêm cortadas, o que é melhor do que nada. O IKEA não obriga os clientes a irem para a floresta cortar as árvores, embora por vezes se sinta que não faltará muito para que isso aconteça. Num futuro próximo, é possível que, ao comprar um móvel, o cliente receba um machado, um serrote e um mapa de determinado bosque na Suécia onde o IKEA tem dois ou três carvalhos debaixo de olho que considera terem potencial para se transformarem numa mesa-de-cabeceira engraçada.
Por outro lado, há problemas de solução difícil. Os móveis que comprei chegaram a casa em duas vezes. A equipa que trouxe a primeira parte já não estava lá para montar a segunda, e a equipa que trouxe a segunda recusou-se a mexer no trabalho que tinha sido iniciado pela primeira. Resultado: o cliente pagou dois transportes e duas montagens e ficou com um móvel incompleto. Se fosse um cliente qualquer, eu não me importaria. Mas como sou eu, aborrece--me um bocadinho. Numa loja que vende tudo às peças (que, por acaso, até encaixam bem umas nas outras) acaba por ser irónico que o serviço de transporte não encaixe bem no serviço de montagem. Idiossincrasias do comércio moderno.
Que fazer, então? Cada cliente terá o seu modo de reagir. O meu é este: para a próxima, pago com um cheque todo cortado aos bocadinhos e junto um rolo de fita gomada e um livro de instruções. Entrego metade dos confetti num dia e a outra metade no outro.
E os suecos que montem tudo, se quiserem receber.
(e, para variar, fui buscar a imagem ao Google)
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15:26
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Apeadeiros: 6to100tido, opiniões, sublinhados
31.3.08

foto de Daniel Oliveira em olhares
“Se me obrigassem a dizer porque o amava, sinto que a minha única resposta seria: Porque era ele, porque era eu.”
Michel de Montaigne
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16:18
2
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Apeadeiros: 6to100tido, me myself and i, sublinhados
22.3.08
Porque hoje a noite foi de poesia...
Tentei Fugir
Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.
Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...
Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.
David Mourão Ferreira
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19.2.08
Profs.... a culpa é deles!
Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida. É evidente que a culpa é deles.
E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores. Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares. O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-la-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não. A menos que não se trate de falta de juízo mas sim de amor ao sofrimento. O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais -até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.
Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão. Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora o há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo. Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano. Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola, é a minha proposta. Já em relação a estes professores que têm sido agredidos, tenho menos esperança. Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.
Ricardo Araújo Pereira in Opinião, Boca do Inferno, Revista Visão
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15:49
2
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Apeadeiros: 6to100tido, o meu lado de fora, sublinhados
15.2.08
sublinhados (v)
palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
“-… De que me adianta continuar contigo se não consigo, se nunca conseguirei, apagar-te os medos, as paranóias, as hesitações de puto escondido no sótão, toda a merda que te afasta de mim, que nos impede de conseguirmos dar-nos totalmente, realmente um ao outro. De maneira que o agredia, de maneira que, incapaz de lhe pedir que olhasse por ela, que velasse, simplesmente, o seu coração sobressaltado, o saraivava com recriminações, com chamadas de atenção, com agressões deliberadas que aprendeu a considerar a única saída para as depressões, para as porras, para as burguesices que não levam a sítio nenhum, os problemas de pacotilha dos quarentões neuróticos resolvem-se em cinco minutos de conversa franca em que os convencemos definitiva e irremediavelmente da merda que são.”
Rodrigo Guedes de Carvalho
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13:13
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Apeadeiros: 6to100tido, me myself and i, sublinhados
5.7.06
sublinhados (iv)
sublinhados: palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
daqui
Não acredito em Deus mas tenho medo dele.
O Amor nos Tempos de Cólera
Gabriel García Márquez
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14:12
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Apeadeiros: 6to100tido, sublinhados
sublinhados (iii)
sublinhados: palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
Florentino Ariza esquecia-se sempre, e quando menos devia, que as mulheres pensam mais no sentido oculto das perguntas que nas perguntas em si...
O Amor nos Tempos de Cólera
Gabriel García Márquez
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11:05
0
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Apeadeiros: 6to100tido, sublinhados
26.6.06
sublinhados (ii)
sublinhados: palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
-Deixa-me ficar aqui – disse-lhe. - Sim, havia sabonete.
Quando recordavam este episódio, já no remanso da velhice, nem ele nem ela podiam crer na verdade assombrosa de que aquela discussão fora a mais grave de meio século de vida em comum, e a única que lhes deu aos dois vontade de desistir e começar uma vida diferente. Mesmo quando já eram velhos e tranquilos evitavam falar dela, porque as feridas acabadas de cicatrizar voltavam a sangrar como se fossem de ontem.
O Amor nos Tempos de Cólera
Gabriel García Márquez
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às
10:47
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Apeadeiros: 6to100tido, sublinhados
23.6.06
sublinhados
sublinhados: palavras lidas, relidas, sentidas. por nós ou por tantos outros iguais a nós...
Num dia, no cúmulo do desespero, ela tinha-lhe gritado: "Não te dás conta de como sou infeliz." Ele tirou os óculos, num gesto muito seu, sem se alterar, inundou-a com as águas diáfanas dos seus olhos pueris e, com uma só frase, deitou-lhe em cima todo o peso da sua sapiência insuportável: "Lembra-te sempre que o mais importante num casamento não é a felicidade mas a estabilidade." Logo nas suas primeiras solidões de viúva entendeu que aquela frase não escondia a ameaça mesquinha que lhe tinha atribuído em tempos mas a pedra de toque que lhes tinha proporcionado tantas horas felizes.
O Amor nos Tempos de Cólera
Gabriel García Márquez
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10:58
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Apeadeiros: 6to100tido, sublinhados
21.6.06
Verão

Giuseppe Arcimboldoer, Summer
Esta noite preciso doutro verão sobre a boca crescendo nem que seja de rastos.
Eugénio de Andrade
Verão sobre o corpo
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7.5.06
Para ti mãe!

de olhares
há-de flutuar uma cidade no crepúscolo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
Al Berto
Há-de flutuar uma cidade
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28.4.06
A invenção do amor (II)




Em todas as esquinas da cidade
nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos nas janelas dos autocarros
mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios de aparelhos de rádio e detergentes
na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém
no átrio da estação de caminhos de ferro que foi o lar da nossa esperança de fuga
um cartaz denuncia o nosso amor
Daniel Filipe
A invenção do amor




de EmparaLeLo
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18:08
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